Todos nós estamos familiarizados com as frases, “a prática leva à perfeição” ou “no pain, no gain”, mas quando se trata de crianças e adolescentes e os seus corpos em crescimento, muito treino e pouco descanso podem causar sérios problemas.

As crianças e adolescentes devem ser encorajados a participar numa variedade de desportos e atividades para desenvolverem uma ampla gama de habilidades, enquanto ganham confiança para serem fisicamente ativos e alcançarem objetivos específicos. No entanto, à medida que mais crianças e jovens participam em desportos organizados e recreativos, parece haver um número crescente de jovens atletas que se especializam em apenas um desporto, desde cedo, ou que disputam várias equipas durante todo o ano, sem tempo adequado para a recuperação entre eles. De acordo com alguns investigadores, este tipo de treino intenso, e competição, pode resultar em lesões, doenças ou “burnout”, o que pode ter um efeito negativo, sobre a capacidade do jovem atleta, ou o desejo de participar em desportos, como uma escolha contínua de estilo de vida.

Os adultos, podem trabalhar para um nível mais alto de rendimento mas, nas crianças, existe um ponto finito, que não pode ser ultrapassado sem danificar as placas de crescimento, e não há como contornar isso.

As crianças têm ossos imaturos e placas de crescimento compostas por células de cartilagem nas extremidades dos ossos longos dos seus corpos. Essas células são mais macias e mais vulneráveis a lesões do que as dos ossos maduros. Quando o crescimento está concluído, os ossos tornam-se sólidos.

As crianças e adolescentes são vulneráveis a lesões nas placas de crescimento, desde que existam placas de crescimento abertas no corpo. Na maioria das meninas, as placas de crescimento fecham dos 14 aos 16 anos. Nos meninos, fecham entre os 16 e os 18 anos. Os danos a uma área de placa de crescimento podem ter implicações a longo prazo, como um membro torto ou mais curto que o outro.

É importante que os pais e treinadores compreendam que o sistema esquelético muscular das crianças não pode treinar da mesma forma que um adulto treinaria, para chegar ao próximo nível de desempenho. Os ossos crescentes das crianças simplesmente não conseguem suportar o stress que os ossos adultos podem, mesmo quando as suas forças cardiovascular e muscular mostrem que elas são fortes.

A Academia Americana de Pediatria (AAP) descobriu que até 50% de todas as lesões observadas na medicina desportiva pediátrica estão relacionadas ao uso excessivo. Uma lesão por uso excessivo é uma “lesão micro-traumática a um osso, músculo ou tendão que foi submetida a um stress repetitivo, sem tempo suficiente para curar ou passar pelo processo de cura natural”.

Para evitar esse tipo de lesão, o Conselho de Medicina Desportiva e Condicionamento Físico da AAP recomenda que o treino dos jovens atletas, num único desporto, seja limitada: “A concentração num desporto, usando os mesmos ossos, músculos e ligamentos, da mesma forma, o tempo todo, leva à fadiga residual, e é por isso que as crianças sofrem lesões. É por isso que se recomenda um treino cruzado para os jovens atletas. Complementar a sua prática desportiva, com natação e atividades ao ar livre.

Quando as crianças chegam ao ponto de quererem superar a dor, estamos na presença de um problema. As crianças precisam saber que a dor muscular é normal, mas dores articulares ou ósseas são um sinal claro de que algo está errado e não devem ser ignorado.

Jovens atletas que participam numa variedade de desportos têm menos lesões e praticam desporto durante mais tempo do que aqueles que se especializam antes da puberdade. Esses atletas também têm mais probabilidade de atingir o objetivo de se manterem em forma e aproveitarem a atividade física ao longo da vida.

Overtraining: Fatores de Risco

Conforme foi dito anteriormente, as crianças que se especializaram num único desporto, desde cedo, correm risco de exaustão ou overtraining.

As crianças que são extremamente ambiciosas e intensamente conduzidas para o sucesso provavelmente atingirão uma situação de burnout. No entanto, o burnout também pode acontecer a crianças que sofrem de baixa auto-estima e vivem com ansiedade.

Normalmente, as crianças não tomam inicialmente a decisão de se sobrecarregarem com excesso de treino. Muitas vezes, elas são pressionadas pelos pais, ou treinadores, que esperam que elas compitam ao mais alto nível.

Sintomas de Overtraining Ou Burnout

O Síndrome de overtraining, ou de burnout, é o resultado de múltiplos fatores que incluem níveis elevados de stress emocional, falha do sistema imunológico, tempo de recuperação insuficiente ou fadiga. O desempenho do atleta piora apesar do treino intenso.

Atletas que sofrem de burnout passam por muitas mudanças psicológicas, fisiológicas ou hormonais. Estas incluem:

  • Mudanças de humor
  • Falta de entusiasmo
  • Diminuição do desempenho escolar, ou desportivo, ou ambos
  • Perda de orgulho
  • Comportos de risco
  • Perda de peso
  • Aumento de lesões
  • Problemas de sono
  • Fadiga
  • Não conseguem concluir as rotinas habituais

Pode-se Evitar o Overtraining? É Tratável?

Para reduzir a probabilidade de overtraining e de burnout, é necessário os pais recuarem e reconhecerem se o histórico desportivo do seu filho o colocou em risco. Os pais deverão perguntar aos seus jovens atletas como eles se sentes em relação ao nível de treino e incentivá-los a dizerem se se sentem pressionados.

Se os jovens mostram sinais de burnout, os pais deverão conversar com eles sobre a situação e recomendar que eles diminuam a sua carga de trabalho. É ainda importante perguntar aos jovens atletas sobre o que os motiva e pedir a um especialista que avalie o tratamento de qualquer lesão que possa ter e tomar providências para a reabilitação.

O mais importante quando uma criança começa a exibir sinais de overtraining ou burnout é criar um ambiente de amor e apoio. As crianças precisam de ser crianças. Elas precisam de ser atleticamente ativas, mas não excessivas em relação a qualquer desporto ou atividade.

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