Autores

VALTER PINHEIRO* Instituto Superior de Ciências Educativas (ISCE) / Fundação da Ciência e Tecnologia

ARMANDO COSTA** Instituto Superior de Ciências Educativas (ISCE)

BRUNO BAPTISTA*** Metodologia TOCOF

PEDRO SEQUEIRA**** Diretor da Unidade de Investigação do Instituto Politécnico de Santarém

Resumo

O treino com jovens atletas é um tema que vem sendo discutido na literatura, sem que, contudo, se consiga chegar a um entendimento claro sobre o mesmo. Assim, algumas dúvidas permanecem na obscuridade, por falta de respostas concretas, ou, muitas vezes, pela relutância dos principais atores do cenário desportivo em relação à mudança, ou seja, à rutura com o passado.

Com o presente artigo procuraremos dar resposta a algumas interrogações, lançando o debate sobre alguns temas que importam ser discutidos.

Introdução

O treino de Futebol com jovens é um atividade que tem tanto de desafiante como de interrogante. Muitos são os que se dedicam ao seu estudo, reflexão e treino, procurando dar resposta às interpelações que a prática coloca.

Contudo, se é verdade que existe um grupo de pessoas empenhado na melhoria qualitativa deste fenómeno, tornando-o mais científico, também é verdade que muitos treinadores desenvolvem o seu labor, sem exercer a necessária reflexão sobre a sua prática.

O treino de futebol com jovens não poderá assumir-se, somente, como uma práxis esvaziada de conteúdo, fruto de uma repetição daquilo que era realizado no passado. O treino de futebol reclama dos seus principais agentes uma atitude ativa, crítica e construtiva, tornando este fenómeno um verdadeiro processo de ensino, ao qual corresponderá, necessariamente, uma aprendizagem.

Por isso, ao longo deste artigo, serão elencados um conjunto de preocupações, aos quais ousámos chamar de “mandamentos”. Não temos o arrojo de considerar que somos os donos da verdade, por isso, estes são os nossos mandamentos e jamais, OS mandamentos.

1º Mandamento – “Antes de ser Treinador, ser Educador”

É sabido que à prática desportiva, em geral e ao futebol, em particular, são associados um conjunto de benefícios resultantes da sua vivenciação. Por isso, existe a crença de que praticar desporto é um excelente método para a aquisição de valores morais e éticos, bem como, para o desenvolvimento de todos os componentes ligados à saúde. Todavia, os estudos científicos são claros ao afirmar que a prática desportiva, per se, não faz bem nem mal. Deste modo, somente a qualidade da prática poderá assegurar o desenvolvimento das referidas competências sociais, ou seja, se a prática for bem orientada pelos adultos significativos, esta terá certamente uma influência positiva sobre os jovens. Pelo contrário, uma experiência mal conduzida, terá efeitos nefastos e, neste caso, seria melhor que os jovens não participassem no desporto.

Concluímos, desta forma, que treinar crianças não se pode reduzir ao simples ensino das questões de natureza técnica, tática e física. O treinador deverá assumir um verdadeiro compromisso com a sua praxis, assumindo que a sua conduta se assume como um exemplo a ser seguido pelos seus atletas. Logo, antes de ser treinador de futebol é um educador desportivo, independentemente da sua formação académica. Olvidar esta premissa, é assumir uma prática estéril e inconsequente.

Não é demais referir que a esmagadora maioria das crianças que iniciam o futebol, jamais logrará ser futebolista profissional. Todavia, todas serão futuros cidadãos. Por isso, importa refletir sobre os modelos de ensino de futebol que continuam a vigorar.

Ao treinador deverá ser confiado o ensino dos mais nobres valores, nomeadamente, o esforço, o empenho, a dedicação, a resiliência, a abnegação, o respeito pelo outro e por si mesmo.

Deste modo, não é lícito ao treinador afirmar que a educação é da responsabilidade dos pais e da escola, na medida em que educar é um processo levado a cabo por todos e a todo o momento.

O treinador, pelo cargo e posição que ocupa, é um verdadeiro “fazedor de cidadão”,

2º Mandamento – “Antes de gostar de ganhar, gostar de jogar futebol”

A questão da vitória desportiva no futebol com jovens nunca foi consensual. Para os mais puritanos, a busca pela vitória conduz as crianças por caminhos desviantes, levando-os muitas vezes a adotarem comportamentos anti desportivos. Por isso, a vitória deverá ser vista como algo pernicioso. Para os mais competitivos, a vitória é o resultado que somente interessa. Nada existe para além da vitória e perder é sinal de fracasso.

Neste âmbito, posicionamo-nos numa zona equidistante face a estas duas realidades diametralmente opostas.

Na verdade, a vitória jamais poderá ser entendida como um convite a prevaricação. É desleal e até mesmo pouco racional ensinar as crianças a não procurarem a vitória. As crianças deverão ser educadas a granjearem a superação, a buscarem a transcendência. Numa sociedade altamente competitiva, como a atual, é certamente um erro não educar para a vitória.

Todavia, esta não poderá ser o centro nevrálgico quando se treina crianças. Por isso, devemos estimular os atletas a procurarem a superação, desejando vencer, devendo, todavia, explicar que a prática do futebol pressupõe a existência de três resultados possíveis. Por isso, a principal função do treinador é desafiar as potencialidades das crianças, encorajando-as a querem ser cada vez melhores. Contudo, alertando para a necessidade de ser um vencedor humilde e um perdedor tranquilo.

Assim, somos liminarmente contra a frase cliché “Ganhar ou perder é desporto”. Acreditamos que esta frase deverá ser substituída por “ No desporto eu quero sempre ganhar, mas sei que posso perder.”

3º Mandamento- “Antes de ensinar jogadas, ensinar a essência do jogo”

Em primeiro lugar, importa salientar o que para nós significa o termo “jogadas”. Em nosso entender, não são mais do que circulações estereotipadas, repetidas vezes sem conta, em contexto de treino, com o objetivo de vê-las reproduzidas na competição. Normalmente, estas jogadas são fruto de uma arquitetura mental do treinador que procura tornar os seus atletas verdadeiros robots programados.

Quando ensinamos jogadas, aniquilamos o potencial decisional das crianças, na medida em que criamos cenários que queremos ver reproduzidos, esquecendo-nos que a competição está sujeita à imprevisibilidade, ao casuístico. Assim, não poderão os treinadores procurar “robotizar” os seus atletas, mas antes muni-los de ferramentas que lhes permitam em cada situação do jogo, decidir da melhor forma. No entanto, um olhar mais atento sobre os escalões de formação de futebol, revela que para muitos treinadores, o futebol se assume como um verdadeiro jogo de computador, onde a missão do treinador é teleguiar os seus atletas. Muitos treinadores ocupam todo o tempo de jogo a dar indicações claras e precisas a cada atleta do que deve fazer, como fazer e onde fazer. Claro está, que não defendemos que o ensino do futebol seja anarquizado e o papel do treinador é de suma importância na correção. Contudo, ensinar futebol, implica apontar caminhos, oferecer diferentes soluções e depois, permitir que em contexto competitivo seja o atleta a escolher, em cada momento, qual o melhor desfecho para os problemas que lhe surjam.

Concluindo, cabe ao treinador a árdua tarefa de promover nos seus atletas a tomada de decisão, de modo autónomo, singular, procurando dar sempre a melhor resposta às contingências do contexto.

4º Mandamento – “Antes do jogo formal, o jogo reduzido”

Ensinar o jogo de futebol às crianças não passa por colocá-las na hercúlea tarefa de confrontarem-se num 11*11. Assim, como ninguém aprende a ler através das obras de Fernando Pessoa, mas antes em livros apropriados para esse fim, também não se aprende a jogar futebol através da sua forma mais complexa (11*11).

Tomando como exemplo um livro: é mais moroso ler uma obra de 400 páginas do que uma obra de 100, pois o número de páginas é menor. No Futebol, se partirmos do princípio que cada atleta em campo é uma página, facilmente compreendemos que quanto mais jogadores houver em campo, mais tempo levarão os atletas a fazer a leitura do jogo. É importante que percebamos que por cada atleta que se adicione ao jogo, acrescentam-se mais um conjunto de variáveis. Por isso, o ensino do jogo de futebol, deverá operacionalizar-se através de formas jogadas reduzidas. Estas, não são uma forma inferior de ensinar o jogo, mas antes um utensílio pedagógico de inegável qualidade. Antes de aprender a confrontar-se contra 4 adversários, a criança necessita de aprender a defrontar-se contra 1. Posteriormente, necessita de saber cooperar com um companheiro para a obtenção do objetivo do jogo. Esta é a lógica progressiva do ensino do jogo de futebol, relevando a sua característica de jogo de cooperação – oposição.

Além disso, as crianças que começam a experimentar o futebol, são normalmente limitadas do ponto de vista motor, necessitando de frequente contacto com o móbil do jogo. Os jogos reduzidos, promovem uma maior proximidade entre a criança e a bola, permitindo-lhe vivenciar mais situações de condução de bola, passe, drible, desarme, entre outros. Não nos podemos esquecer que a grande motivação das crianças é a possibilidade de conduzir a bola.

Por isso, acreditamos que a melhor forma de ensinar o jogo de futebol é através de formas simplificadas que permitam à criança a apropriação da essência do jogar.

5º Mandamento –“ Em vez de criticar, corrigir e elogiar mais”

Vivemos numa sociedade onde o termo “criticar” assume uma conotação negativa. Fazer crítica, é normalmente sinónimo de depreciar, ridicularizar, desmerecer alguém. Contudo, a crítica assume uma vertente pedagógica, quando bem conduzida. É sabido que ninguém nasce ensinado e que durante um processo de aprendizagem devemos saber conviver com o erro. Ao treinador cabe a tarefa de ser paciente perante o erro e de intervir no sentido de eliminá-lo.

Assim, importa atentar em que tipos de intervenções deverá o treinador centrar-se de modo a propiciar as melhores informações aos seus atletas.

Em primeiro lugar, dizer ao atleta que fez determinado gesto técnico mal, é assumir a premissa de que esse mesmo atleta não tem capacidade discriminativa para perceber que errou. Ou seja, o atleta tem normalmente consciência de quando executa mal um passe, um remate, um desarme. Mais do que enfatizar o que foi mal executado, importa salientar o que deve ser feito para se melhorar. Por isso, as célebres frases “ João, estás a rematar mal”, deverão ser substituídas por “João, afasta o pé de apoio da bola para rematares melhor”. Em vez de empolar o erro, o treinador deverá escalpelizá-lo com o seu atleta com o objetivo de corrigi-lo.

Outras das questões muitas vezes esquecidas pelos treinadores aquando do processo de comunicação com os seus atletas são os elogios, encorajamentos e incentivos. A literatura é unânime em reconhecer que todo o ser humano aprende melhor quando o seu comportamento é reforçado positivamente, mesmo que esse comportamento ainda não esteja completamente de acordo com o desejado. Muitos treinadores dão relevo apenas ao produto final, olvidando-se do processo. Se uma criança remata sempre mal e posteriormente passa a rematar um pouco melhor, essa evolução não poderá passar despercebida aos olhos do treinador. Apesar de ainda se encontrar longe daquilo que é desejável, na verdade a criança já deu mais um passo rumo ao comportamento pretendido.

A este respeito importa referir que os estudos realizados no âmbito da psicologia denotam que uma das principais causas de abandono desportivo por parte das crianças, se deve a ausência de estímulos positivos. Por isso, não deve o treinador perder a oportunidade de elogiar um bom comportamento da criança. Elogios e encorajamentos geram um clima motivacional positivo, propício a aprendizagens.

Além disso, promove uma relação de maior confiança entre treinador –atleta.

6º Mandamento – “Antes de mecanizar, desenvolver a criatividade”

Se analisarmos com algum detalhe as últimas épocas do futebol português, compreendemos que muitos dos jogos acabam com empates a zero. Este resultado deverá provocar em nós uma reflexão interior, procurando resposta para o mesmo. Em nosso entender, a organização defensiva é um momento do jogo ao qual os treinadores dão cada vez mais relevância, na busca de somar os necessários pontos à obtenção dos objetivos. A política do “resultadismo” impera sobre a demanda do espetáculo desportivo. Contudo, não nos parece que o problema resida somente na grande qualidade com que se organiza o processo defensivo. Na verdade, acreditamos que perante modelos de jogo altamente defensivos, somente uma processo ofensivo de inegável qualidade poderá sortir efeito. Todavia, um processo ofensivo de qualidade reclama a existência de atletas criativos, “ sui generis”, capazes de fazerem a diferença. Importa deste modo atentar no termo “criatividade”. Na conceção de alguns autores a criatividade representa a emergência de algo único e original. O recurso a um autor mais antigo não foi falta de zelo, mas antes propositado. É que desde sempre que o ato criativo foi assumido como algo ímpar, excecional, exclusivo de determinados atletas. Ser criativo significa ver além dos demais, encontrar caminhos, onde outros veem becos, ver soluções onde outros veem problemas. Ser criativo, é ser-se especial, é ser ousado, é ser-se audaz ao ponto de encontrar soluções imprevistas e impensadas.

Contudo, a originalidade também se desenvolve, através do processo de treino. Mas para ser desenvolvida reclama do treinador uma postura de tolerância. É que o processo criativo anda de mãos dadas com o erro. Torna-se difícil desenvolver-se a criatividade, se do exterior não existir paciência para com os erros.

Por isso, cabe aos treinadores reconhecerem o papel de destaque que assumem os atletas criativos, na medida em que estes poderão ser os futuros atletas de eleição. Não nos podemos esquecer que os atletas criativos, são os mais arrojados, os audazes, procurando a todo o momento a transcendência.

7º Mandamento – “Acima de tudo a SAÚDE”

Quando treinamos jovens atletas praticantes de futebol, fazemo-lo, muitas vezes, centrados no seu desenvolvimento técnico e tático, esquecendo que o treino com jovens deverá promover hábitos e estilo de vida saudável. Ser treinador de jovens é procurar intervir positivamente na saúde daqueles que são objeto do nosso labor. Importa lembrar que a saúde, de acordo com a organização mundial da saúde, não é apenas a ausência de enfermidade, mas um completo bem-estar físico, social e mental.

No que concerne a dimensão física, verificamos que muitas vezes o processo de treino conduz ao aparecimento de lesões, ou por deficiente preparação dos atletas, ou por repetição excessiva de determinado gesto técnico. Alguns treinadores, buscando sucesso imediato, promovem uma intensidade desproporcionada às características morfo- funcionais das crianças. Por isso, o princípio da multilateralidade deverá ser a pedra angular no planeamento do treino de futebol com jovens, estabelecendo uma relação estreita com o princípio da especificidade. Em relação à dimensão mental, verificamos que em diversas situações a prática desportiva é a responsável por diversos problemas de natureza psíquica. Crianças que sofrem de depressões, ansiedade, medo de errar, passaram muitas vezes por processos de treino onde a exigência estava muito acima das suas potencialidades. O treino, como já se disse anteriormente, deverá promover a superação, a transcendência, todavia, respeitando o princípio da individualidade, ou seja, reconhecendo que cada criança é um ser único, singular e irreproduzível e que por isso reclama do treinador diferentes abordagens. Não pode o treinador ensinar para TODOS como se fossem UM.

No que diz respeito à dimensão social, devemos reconhecer que muitas crianças procuram a prática do futebol pela necessidade de pertença a um grupo, pelo desejo de afirmação perante os seus pares, pela demanda de rivalizar com o outro.

Todavia, este processo deverá ser orientado pelo treinador que não deverá permitir que em situação alguma, uma criança possa ser alvo de troça ou chacota por parte dos seus colegas. O treinador deverá assegurar-se que todos os elementos fazem parte do grupo e que nenhum se situa no seu exterior.

Acreditamos que, se o treino produzir alterações positivas na saúde das crianças, então, todo o processo estará impregnado de sucesso.

8º Mandamento – “Em vez de excluir, Incluir”

O desporto com jovens é eminentemente inclusivo e o futebol não deverá ser exceção. Significa que todas as crianças devem ter o direito de jogar futebol, desde que enquadradas em contextos que correspondam às suas potencialidades. Ou seja, não defendemos que todas as crianças tenham o direito de jogar futebol nos clubes de maior nomeada quando as suas potencialidades não o permitem. Apesar disso, não lhes deverá ser negado o acesso de praticarem futebol noutros contextos mais condizentes com as suas qualidades.

Um dos grandes problemas que se assiste no futebol jovem em Portugal é o tempo de jogo concedido a cada criança. Muitos treinadores, com a inquietação de obterem sucesso rápido, dão oportunidade de jogar, apenas aos mais aptos que ao jogarem mais vezes, aumentarão o fosso para os demais. Há realidades em Portugal em que algumas crianças passam todo o jogo na condição de suplentes sem que lhes seja dada a possibilidade de participarem. Em nosso entender, trata-se de uma crueldade atroz e intolerável que deverá ser repudiada. Todas as crianças deverão ter o direito a participar na competição, jogando tempos diferentes, em função das suas potencialidades. Todavia, a nenhuma deve ser vedado a participação, por ínfima que seja, no contexto competitivo. É factual que só se aprende algo, fazendo. Logo, só se aprende a jogar futebol, jogando.

9º Mandamento – “Os pais também jogam”

É verdade que em diversas situações, os pais dos atletas revelam comportamentos perturbadores do desenvolvimento desportivo dos seus filhos. Alguns pais que desejavam ter sido futebolistas de alta competição, mas que viram esse sonho gorado, procuram realizar esse intuito nas vidas dos seus educandos. No fundo, entendem a vida dos mesmos, como uma continuação da sua. Esta conduta é deveras nefasta para as crianças que se sentem pressionadas no seu desempenho. Contudo, os nossos atletas têm pais e naturalmente, devemos aprender a cooperar com os mesmos para um único objetivo – o sucesso dos atletas.

Por isso, cabe ao treinador procurar encontrar elos de ligação com os pais, suscitando nestes a necessidade de empreender uma postura positiva face à prática desportiva dos seus filhos.

Uma das estratégias que poderá contribuir para uma maior aproximação entre treinadores e pais é a realização de uma reunião de início de época. Nestas, os treinadores deverão definir os objetivos do seu labor, bem como, aquilo que esperam que os pais venham a desenvolver. Os pais deverão ser informados das condutas e procedimentos que no entender do treinador, poderão contribuir para o sucesso dos seus filhos.

O treinador deve, ainda, ser consistente na comunicação com os pais, ou seja, deverá existir coerência no seu discurso. Nada pior do que prometer aquilo que não poderá cumprir. Nessa medida, o treinador deverá transmitir aos pais, aquilo que para ele é expectável em relação ao desenvolvimento das crianças.

Depois, também é muito importante garantir independência relativamente a todos os pais. Por diversas ocasiões, os treinadores estabelecem com determinados pais, laços de proximidade que poderão ser “lidos” pelos restantes, como uma forma de favorecimento a determinadas crianças. Desta modo, o treinador deve procurar estabelecer uma relação equidistante com todos.

10º Mandamento: “O Treinador: Um Teórico – Prático”

A discussão entre a validade da teoria e da prática já vem de longe, assumindo-se muitas vezes como uma questão quase dogmática. Desta forma, os treinadores que tiveram experiência prática enquanto atletas reclamam para si o conhecimento próprio de quem conheceu as adversidades do campo. Os treinadores de formação académica avogam que o estudo científico do futebol que realizaram na Universidade lhes confere um olhar mais profundo do fenómeno do treino. Acreditamos que ambas as posições se encontram demasiado extremadas, porque a prática revelanos que as duas tipologias de treinadores referenciados anteriormente apresentam resultados de qualidade. Assim, nem só a prática enquanto ex- atleta confere a um treinador todos os conhecimentos necessários para treinar uma equipa, pois uma realidade é a do jogador, outra distinta é a de liderar um grupo. Mas, o estudo científico do futebol, per se, não serve para nada se não for justificada com uma prática profícua. É por isso célebres algumas frases dos ditos “práticos” e “teóricos”, como “Quem sabe faz, quem não sabe ensina” ou “Não há nada mais prático do que uma boa teoria”. No entanto assumimos com maior clareza a frase de Paulo coelho que afirma que “a teoria é como uma espada que quando não é utilizada apodrece.

É por isso que vamos ao encontro de Pinheiro (2011) quando afirma que não basta ter-se sido um excelente jogador de futebol, nem ter sido um brilhante aluno de faculdade para se ser um bom treinador. No fundo o treinador deverá ser um “teórico-prático” procuram obter uma prática de elevada qualidade, consubstanciada teoria viva e passível de aplicar.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Pinheiro, V. (2011). Os 10 mandamentos (+1) no treino de futebol com jovens.

Colóquio de futebol jovem organizado pelo Grupo Desportivo Águias de Camarate.

Sacavém.

4 Comentários

  1. Miguel Azevedo
    17 Março, 2018
    Responder

    Excelente artigo.

  2. Leonesio Alves Moreira
    17 Março, 2018
    Responder

    Seria muito bom se todos seguissem esses mandamentos

  3. javier
    20 Março, 2018
    Responder

    muito bom se todos seguissem asses mandamentos

  4. João Santos
    30 Agosto, 2018
    Responder

    Muito Bom!!! Identifico -me plenamente nesta análise de cada mandamento.Obrigado

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