Ubuntu Irmãos,

Muitos de vós não sabeis que somos da mesma família. A vida separou-nos depois de nos ter juntado. Espero que se encontrem bem e, acima de tudo, felizes quando lerem esta minha carta.

Quando falamos da nossa equipa referimo-nos a ela frequentemente como “a segunda família”, “a nossa tribo”, “os companheiros de luta” ou empregamos outra expressão afectuosa especial. De facto, mais do que simples amigos, os nossos bons colegas de equipa são reservas de apoio incondicional omnipresentes. Para mim, vocês são e serão sempre os meus “irmãos de outras mães”.

Presentes nos momentos mais felizes e nos mais difíceis, foram vocês que me disseram que eu ia conseguir quando nem eu acreditava. Os mesmos que me disseram para tirar daí a ideia quando a ilusão que me turvava a vista me iria fazer sofrer.

Partilhámos as mesmas ilusões, as mesmas dores, as pressões, o nervosismo, a excitação, as descobertas e o amor ao jogo, quase sempre lado a lado. Poucas pessoas na minha vida foram tão importantes como vocês. Não só no meu desenvolvimento enquanto atleta mas sobretudo enquanto estudante, cidadão e amigo. Efectivamente, nas batalhas mais difíceis que travei na vida vocês estiveram lá comigo. Mesmo – ou sobretudo – quando não era de palavras que eu mais precisava. Levantaram-me e não me deixaram voltar a cair. Uma e outra e ainda mais uma vez. Tudo sem pensarem duas vezes. Isto é o que uma família faz pelos seus. É por isto que é tão especial ser da vossa equipa!

Como atletas treinamos diariamente para dar tudo o que temos, nunca desistir, percorrer o famoso quilómetro extra. Naturalmente, isto acaba por extravasar para fora do campo. Invade todos os minutos da nossa vida e torna-se a matéria-prima que confere tanto valor a esse ser vivo especial a que chamamos equipa. A esse caminho feliz a que chamamos vida.

À medida que fomos crescendo fomos percebendo que isto de jogar era muito mais do que apenas ganhar ou perder. Sempre preferi “perder com os meus” do que “ganhar com uns quaisquer”. Esta lição ensinou-ma o desporto: nada é tão importante como as pessoas de que te rodeias, a tua equipa, os teus irmãos.

Se és uma das pessoas dedicadas que partilharam o campo comigo, esta carta é para ti. Para ti que conheces o meu melhor e o meu pior. E quase tudo o que existe no meio. Para ti que foste da nossa equipa ou para ti que foste de uma equipa rival mas tão exigente a opores-te a nós que também passaste a fazer parte deste processo.

Porque alguns já partiram sem que eu lhes conseguisse dizer como foram importantes para mim, hoje quero agradecer-vos a todos. Mas a TI em particular.

Obrigado por me ajudares a crescer.

Obrigado por me desafiares.

Obrigado por me forçares a ser melhor.

Obrigado por quereres o melhor para mim como eu quero para ti.

Obrigado por rires comigo, por chorares comigo, por suares comigo, por te queixares comigo, por trabalhares tanto comigo.

Obrigado por seres hoje da minha família e me teres deixado entrar na tua.

Fizeste com que a minha experiência como atleta fosse maior do que alguma vez alguém poderá imaginar. Maior do que eu próprio alguma vez imaginei.

Se hoje sou quem sou é, sem dúvida, graças a ti.

Ubuntu irmão.

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