…. A dificuldade dos seus Dirigentes de perceberem a mudança…

Antigamente, havia os chamados mecenas do futebol, que acabaram; depois, pensou-se que seriam as câmaras e juntas de freguesias (figura estado) a resolver os problemas financeiros dos clubes. Como não foi possível, os clubes viraram-se para a formação, escolas/academias de futebol, onde com a mensalidade dos atletas arranjam verdadeiras fortunas para manter as equipas de futebol sénior em escalões onde não podem estar, com custos insuportáveis para as suas realidades, com a agravante de não darem à formação e aos seus financiadores (pais dos atletas) o mínimo de condições de treino, de equipamento desportivo e formadores à altura.

O tempo dos mecenas, que vêm do tempo dos “contos” $$$, era fácil de estar no futebol, o dinheiro aparecia de todo o lado, os recibos saiam do clube e entravam nas finanças, o saco azul era a moda, agora, depois das alterações legais, tudo mudou.

Grande parte dos clubes amadores com futebol de formação prescinde de massagistas (quantos menos e mais baratos melhores), preparadores físicos, treinadores de guarda-redes, treinadores adjuntos, chegam a casos de ter um treinador para 15 / 20 atletas, treinadores sem qualificação. Tudo isto para amealhar o máximo de dinheiro para gastar no futebol sénior. Não conseguem perceber que é um investimento a fundo perdido, sem retorno e que estão a dar cabo do melhor que os clubes têm: as crianças, os jovens que querem praticar desporto, jogar futebol e divertirem-se no clube da sua terra ou região, onde jogaram os avós, os pais, familiares e amigos, isto numa 1ª fase, a fase do lúdico e da animação.

Os clubes têm de ser parte integrante e ativa na sociedade, têm que acompanhar as crianças que são o futuro e ajudá-las a crescer a ver o desporto como uma coisa boa e não como um problema ou um negócio.

Temos de voltar à velha história do amor à camisola, o futebol tem de ser defendido pelos seus verdadeiros amantes, através da formação e de equipas com elementos da sua terra/região, para atraírem mais pessoas, mais famílias aos campos de futebol. A grande meta do futebol amador, é exactamente esta, tem de ser amador.

Não há lugar para Dirigentes “paraquedistas”, que não conhecem a realidade da terra/região e do(s) clube(s), que só querem tirar dinheiro das mensalidades dos pequenos e jovens atletas, para manterem em alta os seus “egos” e “excentricidades” em jogar em divisões que são financeiramente incomportáveis.

Não há lugar para Dirigentes ditadores, a lei do quero posso e mando, Dirigentes de clubes que só pensam no seu bem-estar  e destroem tudo quanto o clube construiu em anos de vida, não só deixam o clube mal financeiramente quando saem (pois esta é a grande realidade, quando as coisas correm mal, são os primeiros a sair), com os maus actos de gestão originam o fim dos escalões de formação ou mesmo do clube em si.

É inadmissível hoje em dia um clube de futebol amador pagar ordenados como se pagam, orçamentos anuais na casa das dezenas ou centenas de milhares de euros (surreal !!!) para isto acontecer alguma coisa têm de ficar para trás: ficam os fornecedores de bares, material médico, equipamentos (existem clubes que todos os anos mudam de marca, a conta fica do lado do fornecedor), acabam por ficar também os jogadores seniores, dificilmente os compromissos são honrados, as equipes técnicas e os treinadores da formação que são os principais responsáveis pela angariação do dinheiro (via mensalidade dos seus atletas, das suas equipas e do seu trabalho diário).

As grandes questões que devem estar presentes na formação, como a Política Desportiva a seguir, definida para o mandato da direção nunca é definida, os transportes dos jogadores para os jogos, é inexistente e por vezes “criminosa”, pois usam carrinhas sem condições, sem obedecer à legislação e rezando para que não aconteça nenhum acidente.

Antigamente, o futebol sénior dava para pagar as camadas jovens, hoje passa-se exatamente o contrario. Se aumentarmos os custos do futebol sénior, temos de aumentar o do futebol jovem (que antes nem pagava) para equilibrar as contas.

Hoje um departamento de futebol de formação, bem organizado, é auto-sustentável (não nos podemos esquecer que os pais pagam todo o custo, desde inscrições a equipamentos) e que parte da verba recebida tem de ser reinvestida na própria formação na ordem dos 70% ficando os restantes 30% para o clube.

Devem ser realizados eventos como forma de obter receitas extraordinárias para o clube de modo a garantir os orçamentos apresentados no início de cada época e incluídos no plano de atividades.

As escolas/academias de formação / departamentos de formação são uma realidade, os técnicos hoje têm de ter formação, seja universitária, seja em cursos de especialização, os massagistas têm de ter formação, os treinadores de guarda redes e preparadores físicos têm de ter formação.

Para quando passar a ser obrigatório os Dirigentes (Presidentes, Diretores, Delegados) a terem também formação?

As escolas de formação / departamentos de formação, clubes com formação, academias vieram para ficar, aqui vai haver a separação do trigo e do joio, hoje só há lugar para quem trabalha bem, quem dá condições aos atletas, sejam físicas, humanas, matérias, etc. Estamos perante uma realidade nova, os pais pagam para os filhos jogarem à bola, treinarem, fazerem desporto, primeiro no futebol animação, lúdico, depois no futebol de competição.

Os pais de hoje são pessoas informadas, presentes, não aceitam os golpes dos clubes / dirigentes, onde têm os filhos, são pessoas pagadoras, na prestação de um serviço por parte dos clubes, querem saber onde está a ser aplicado o dinheiro, não aceitam as faltas de condições e o mau serviço prestado provocando o abandono ou uma  mudança de clube nas idades mais baixas entre os 5 e os 12 anos, mesmo existindo a este nível etário valores de transferências regionais de acordo com a regulamentação da FPF/Associações Distritais de Futebol.

Os dirigentes desportivos têm que ter formação, têm de ser pessoas capazes de perceber a mudança e interagir com as novas tecnologias, áreas de comunicação e Gestão.

Com isto deixo duas perguntas aos Presidentes e Diretores de clubes que se revêm neste texto, para que possam pensar e reflectir:

Até quando vão andar “cegos”, a achar que estão certos?

Quando vamos num autoestrada e vêm todos os carros contra nós, nós é que vamos no sentido correto ou serão os outros que estão em contra-mão?

Há muito tempo que o Futebol deixou de ser apenas um jogo para se transformar, cada vez mais, num negócio. E como todos os negócios, a constante modernização e sofisticação da Indústria em que está inserido, cria a necessidade de uma Formação contínua que adeqúe as tecnologias e os conhecimentos à realidade.

9 Comentários

  1. José Rocha
    30 Março, 2017
    Responder

    De fato esta é uma meia verdade , pois se fizermos algumas contas vemos que os clubes para sobreviverem as altas taxas de jogo, e de inscrição tiveram que inovar.
    14 atletas com uma mensalidade de 30 € da mensalmente 420€
    Despesas
    2 treinadores a 75€ da 150€
    1 massagista 75€
    aguas e sumos(valor mensal) para os jogos 80€
    taxa jogo( em jogos em casa) 40x 2 da 80€ valor mensal
    sem contar com aquisição de material de treino.
    Se acrescentarmos o valor das inscrições nas Associações por época que é inscrever-se nas respetivas provas/campeonatos cada equipa que ronda 250€ e a inscrição dos atletas (30€x14) (isto se não houver transferência de jogadores, pois cada transferência custa ao clube perto de 60€) chegamos facilmente a conclusão que a formação não da lucro . Se atendermos ao fato que um jogador no ano seguinte pode sair livremente então a formação não traz valor acrescentado aos clubes.
    Sabemos que as Camaras Municipais dão um apoio por equipa e que não é superior a 1000€. O problema é que esse dinheiro demora a chegar( só na época seguinte) e que os clubes em vez de pagarem as Associações os valores em divida , canalizam para outras vertentes(seniores)
    Afinal onde esta o lucro das formações.
    O valor de 75€ por treinador é ridículo pois cada curso custa no mínimo 500 € e têm que fazer formações para acumularem créditos. Essas formações também são pagas. Estamos a falar de gente amadora.

  2. Ricardo Sampaio
    22 Março, 2018
    Responder

    Bom dia
    Concordo em parte com a publicação, e em parte com a resposta do senhor José Rocha.
    Em primeiro lugar acho que temos de conhecer as mais diversas realidades e nesse aspecto, são muito diferentes, se é bem verdade que alguns clubes canalizam o valor da formação para as estruturas seniores, não é menos verdade que outros não o fazem, dando todas as condições aos seus atletas, com amor a camisola, em que o lucro obtido pela formação é irrisório, até porque existem clubes onde a mensalidade é um valor quase símbolico.
    Depois existem mesmo os pseudo dirigentes que apenas, passeiam esse título procurando apenas o protagonismo, senão vejamos um exemplo que, conheci perfeitamente.
    Seguindo o raciocínio do caríssimo José,Na imediações da cidade de Leiria existe um “Clube”, clube esse que conta nas suas fileiras com cerca de 150 atletas sensivelmente, 150 x 29 = 4350 € /mês
    Custo da inscrição do jogador na AF Leiria = suportado pelos pais
    Lanches/água/sumos = suportado pelos pais
    Despesas
    1 treinador por escalão x 10 escalões = 1000 € mês
    Treinadores estagiários via Politécnico de Leiria = 0
    Massagista = inexistente
    Inscrição das várias equipas 250 x 10 = 2500 € época
    Taxa jogos em casa x2 80 x 10 = 800€
    Isto partindo do pressuposto que todos os escalões desde os petizes até aos juvenis pagam estes valores de taxas, então vamos a totais por época:
    Despesa
    Treinadores 10.000 €
    Inscrições 2.500 €
    Taxa jogos 8.000 €
    Total despesa 20.500€
    Nas despesas exclui a eletricidade e nos lucros exclui o patrocínio nas camisolas de jogo,dado que tenho conhecimento que, lucro obtido com publicidade nos equipamentos e no complexo desportivo, colmata a despesa de eletricidade.
    Rendimento
    Mensalidade atletas
    4350 x 10 = 43.500€
    Lucro
    43.500-20.500=23.000€
    Nota: este clube não possui escalões de juniores nem seniores

    Compreendo que existam neste País imensos clubes a fazerem pela vida, a contarem os tostões como o exemplo que o caríssimo José referiu, outros canalizam estes lucros para os escalões de seniores, acrescentando que, quanto mais elevado for o escalão sênior, maior é o subsídio atribuído pela federação aos escalões de formação.
    Outros clubes há que, obtem este lucro fácil, há que repensar todos estes modelos principalmente em associações de futebol, onde os pais suportam as despesas com mensalidade/lanches/deslocações/inscrição na AF e no final da época a AF ainda cede umas rifas para um sorteio, onde o lucro obtido na venda dessas rifas reverte para os clubes ” para ajudar a suportar as despesas de inscrição” quando quem as pagou foram os País.
    Repense-se todo este modelo, a bem do desporto, bem como e principalmente dos jovens atletas.

    • humberto Pereira
      18 Abril, 2018
      Responder

      Caro amigo. o problema é que todos os clubes nao sao iguais e faltam algumas despesas importantes no teu comentario . so uma questão? porque das “escolas ” os franchising do sporting e benfica acabam na idade que acabam? se fosse lucrativo o negocio pois disso se trata os queiroz os simaos os figos e tantos outros nao tinham acabado com as suas escolas.

  3. José Gonçalves
    22 Março, 2018
    Responder

    Sr. Jose Rocha qual a equipa que tem 14 atletas? no minimo 20 x 30=600 + o apoio da CM todas as épocas deveria servir para cobrir no minimo certos aspectos.
    A realidade é que há clubes que nem aos treinadores pagam e certos nem se vê massagistas no banco pois a lei até permite que seja o clube da casa a cumprir esse requisito. Métodos de treino em certos é o que se vê. Águas? Sumos? Para muitos é agua da torneira nas garrafas. Quanto a material de treino existe equipas que no inicio de época nem bolas têm para treinar quanto mais certos equipamentos de treino. Já a maioria das deslocações são asseguradas pelos pais na maiorias dos clubes. É uma realidade e não acontece só com as chamadas equipas amadoras. Certos clubes podem acabar por receber compensação pela formação de jogadores no futuro e na realidade pouco fazem ou fizeram para isso.

    • José Rocha
      19 Abril, 2018
      Responder

      Caro José Gonçalves ,
      Não querendo defender nem crucificar ninguém mas não tem ideia de qual o valor da CM aos Clubes,nem quando são pagos.
      De facto há clubes que (que nem aos treinadores pagam e certos nem se vê massagista no banco ,Águas? Sumos? sem material de treino onde a maioria das deslocações são asseguradas pelos pais )
      Brevemente os Clubes que chegarem aos Nacionais ou são certificados ou não jogam os campeonatos Nacionais.
      Depois iremos ver que os clubes das zonas do interior, que tem 1 treinador que é massagista,medico e roupeiro e director vai deixar de existir e os jovens que não tiverem dinheiro não vão competir.
      O problema é dos valores que se recebe de apoios não consegue cobrir as exigências do mesmo onde tudo serve para reclamar quando o filho não joga.
      Só quero recordar que quando não se é conhecedor de todos os factos todos ralham e nenhum tem razão.
      Se alguem tiver a solução ha muito clube a espera de candidatos

  4. Armandino Silva
    23 Março, 2018
    Responder

    “mudança de clube nas idades mais baixas entre os 5 e os 12 anos, mesmo existindo a este nível etário valores de transferências regionais de acordo com a regulamentação da FPF/Associações Distritais de Futebol”. Isto não é verdade, os atletas mudam de clube e os clubes que os recebem não têm de pagar qualquer verba.

  5. Luis
    23 Março, 2018
    Responder

    Temos de repensar todos antes de mais o que é formação. Os clubes amadores fazem um esforço enorme perante os ditos Clubes Top de Formação. Transporte, sumos, sandes. Não brinquem meus senhores. Enquanto se encarar a formação como um alimentar de ilusões aos pais que vêem nos filhos os futuros ” Cristianos” e possível sustento andamos todos enganados. Formem-se primeiro os pais depois os monitores/ formadores/ treinadores e depois os jovens com respeito honestidade e sinceridade dando-lhes ferramentas para se desenvolverem primeiro como jovens e depois como atletas. Aqui ao lado em Espanha e Itália temos bons exemplos. Cá temos alguns bons treinadores mas muito poucos bons formadores. Quando a isto se alia a classe Derigente limitando autonomias… Um Abraço

  6. Antonio
    21 Junho, 2018
    Responder

    A minha pergunta é mais fácil,e nunca ninguém me responde,os clubes não são obrigados a passar recibo sobre as mensalidades?se sim qual decreto lei

  7. Helder
    21 Junho, 2018
    Responder

    A minha pergunta é mais fácil,e nunca ninguém me responde,os clubes não são obrigados a passar recibo sobre as mensalidades?se sim qual decreto lei

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