O que será mais fácil? Um exercício feito de forma repetitiva até que fique “perfeito”, ou a constante alteração de exercícios que poderá provocar uma certa confusão nos atletas? É isto que, na minha opinião, todos os treinadores se devem questionar.

Atualmente no mundo do futebol, existe uma constante mudança nos exercícios que se aplicam no treino. Por vezes, chega-se a fazer 4/5 exercícios bastante complexos num espaço de 90 minutos. Será benéfico para um atleta (seja ele de alta competição ou amador) uma diversidade tão grande de exercícios num curto espaço de tempo? Penso que não. Sou apologista de que se deve seguir aquilo que é mais simples, mais fácil, mas que, ao mesmo tempo, consigamos esmiuçar ao máximo aquilo que é o principal objetivo da tarefa que se está a realizar. Nós podemos perfeitamente, com o que é simples, chegar ao mesmo objetivo de forma tão ou mais rápida que um exercício onde foi colocado mais condicionantes, mais sinalizadores ou cones, e que foi feito com um “aparato” descomunal.

Quando o jogador está no processo de treino, tem de estar a assimilar tudo o que está a fazer e não podemos estar constantemente, semana após semana, a desvirtuar aquilo que estamos a trabalhar. E não é fazer um exercício numa determinada unidade de treino e só volta a repeti-lo passados 3 meses, não está a criar rotinas, bases para poder aplicar no contexto de jogo. Qual é o problema de repetir, pelo menos, o mesmo exercício 3 semanas seguidas? Se ao fim da 3ªsemana o exercício já sair na “perfeição” é sinal que atingimos o patamar mais alto do que foi pedido e, ainda para mais, é sinal que em jogo poderá acontecer de uma forma mais natural e inconsciente por parte dos jogadores, devido à insistência, persistência por parte do orientador em não deixar o exercício “morrer”.

Quando se prepara a época desportiva deverá ter-se alguns exercícios bases que devem ser feitos ao longo do ano, e, conforme os cenários que se vão passando, vai-se ajustar ao contexto que se está a viver. É preciso estudar, tirar apontamentos, investigar, para todos os treinadores se aperfeiçoarem e conseguir ajustar os exercícios que observam quer em em livros, vídeos ou mesmo nas equipas de TOP mundial, à sua equipa. Os jogadores não são todos iguais, alguns com mais dificuldades que outros e tem de se ter em conta as debilidades que cada um possa ter, para que o exercício se torne benéfico quer para uns quer para outros.

Volto a dizer que os jogadores não são todos iguais, e tem de haver “sensibilidade” na adaptação dos exercícios ao contexto em que se está inserido. Um exemplo prático é o facto de ser praticamente impensável fazermos um exercício copiado pelo treino do Manchester City de Pep Guardiola e aplicá-lo numa equipa da 2ªdivisão distrital do Porto. São realidades completamente diferentes. Podemos é tentar fazer esse exercício mas com os ajustes necessários. Como já escrevi na minha segunda crónica, sou apologista do processo da progressão, e neste caso pode haver uma progressão. Quando o exercício em si já tiver a ser feito de uma forma fluída, poderemos aumentar a complexidade do mesmo. Mas tudo isto feito com calma, paciência porque demasiada informação acaba por baralhar o jogador.

Fazer o mais fácil não é sinal de desleixo por parte do treinador, podemos fazer exercícios simples mas com objetivos reais e que vão acontecer em jogo. “Keep it simple” é uma expressão que realmente deveria acompanhar todos os treinadores, quer no futebol de formação quer no futebol sénior.

1 Comentário

  1. […] Texto escrito por Rafael Castro para o site Futebol de Formação […]

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