Motivação e Formação no Desporto: As seis razões do insucesso escolar (5/6) – Honra


O comportamento de cada pessoa é moldado e determinado por impulsos internos específicos, resultando num perfil motivacional diferente de indivíduo para indivíduo, o qual precisamos conhecer para ajustar as estratégias de forma personalizada. Cada aluno requer, por isso, uma abordagem motivacional ajustada à sua personalidade.

No processo formativo, pais, treinadores e professores tendem a impor as suas próprias convicções e a não apelar aos valores e motivos de vida intrínsecos dos estudantes. Esta estratégia é normalmente disfuncional, pois os estudos mais recentes revelaram que cada indivíduo apresenta uma estrutura de motivações única.

Conhecer o perfil motivacional do aluno permite-nos agir de forma atempada e  preventiva, e permite-nos escolher as medidas a tomar de forma muito personalizada e objetiva, logo com muito maior probabilidade de eficácia.

Steven Reiss, investigador e professor emérito da Universidade de Ohio, identificou seis preditores do insucesso escolar, a saber:

  1. Medo do fracasso/problemas de autoestima (positivamente correlacionado com uma elevada necessidade de aceitação/aprovação social).
  2. Baixa Curiosidade (baixa necessidade de conhecimento)
  3. Falta de Ambição (baixa necessidade de influência)
  4. Espontaneidade (baixa necessidade de ordem)
  5. Falta de Responsabilidade (baixa necessidade de honra)

Os estudantes com resultados baixos na dimensão Honra podem ser apanhados a copiar e a furtarem-se às suas obrigações, e é comum os professores avaliarem-nos negativamente devido a problemas de comportamento.

Os estudantes com baixos resultados na dimensão Honra são desembaraçados e podem tirar partido das oportunidades sem tomar em conta os compromissos éticos envolvidos nas suas ações e decisões. Eles respeitarão as regras quando estas lhes são favoráveis, mas em autogestão tenderão a quebrar as normas.  Não vêm problemas em quebrar promessas quando surgem oportunidades melhores.

O oportunismo pode trazer ganhos pessoais a curto prazo,  mas a longo prazo as pessoas que evidenciam estes comportamentos são avaliadas negativamente  quando a comunidade com que se relacionam se apercebe dos seus lapsos éticos.

Estes estudantes podem necessitar que os professores lhes imponham externamente estritos limites éticos.

Necessitam aprender que os seus treinadores, professores e pais não lhes vão tolerar este tipo de falhas e que as pessoas que fazem batota, eventualmente acabam por ser apanhadas.

Como podemos apoiar e desenvolver os estudantes com menor necessidade de honra de modo a que estes possam ter melhores resultados?

  • Ouvir o aluno e tentar perceber porque razão ele está a infringir as regras.
  • Comunicar ao aluno, de forma direta e firme, qual é o comportamento desejável pretendido, e informá-lo sobre as consequências dos seus atos.
  • Envolver o aluno em atividades de grupo devidamente orientadas (desportivas, académicas, artísticas, sociais) onde este possa aprender, discutir e interiorizar regras de convivência e desenvolver o seu sentido ético e moral.
  • Quando o aluno mostra uma menor necessidade de honra é preciso notar que ele tem tendência para ser expedito, isto é, a contornar as regras. Este drive pode ser um fator positivo sempre e quando for um elemento impulsionador de resolução de tarefas de forma criativa. O cuidado especial que aqui devemos ter é o de ajudar o aluno a ser mais assertivo: a afirmação dos seus direitos e necessidades não deve violar os direitos e necessidades dos demais. A sensibilização para o cumprimento de normas pode ser mais efetivo se associar esse trabalho aos seus próprios valores (previamente identificados na avaliação realizada no questionário individual RMP). O aluno deve perceber que a sua atitude menos ética pode ter como consequência a perda da possibilidade de gratificar os seus motivos de vida mais importantes e que se mudar o seu comportamento pode ter a possibilidade de os poder gratificar com mais frequência.
  • Para promover o desenvolvimento moral será muito útil que o professor ou treinador seja capaz de dar feedback construtivo, use competências específicas de liderança situacional, e que tenha um código de conduta muito claro e coerente.

Steven Reiss (The normal personality: a new way of thinking about people. Cambridge University Press, New York, 2008)

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Legenda: Gráfico RMP (Reiss Motivation Profile) com o perfil motivacional de um atleta/estudante com baixa necessidade na dimensão Honra. A avaliação do perfil motivacional é realizada através do preenchimento de um questionário RMP online devidamente validado. A análise dos resultados é feita por um especialista certificado, numa ou várias sessões de coaching, com o atleta/estudante e com os pais. A interpretação do perfil exige a análise da interação dos diferentes motivos de vida.

Nota: No próximo artigo abordaremos a sexta razão do insucesso escolar.

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