A escolha da atividade desportiva deve ter em conta a educação dos nossos filhos, deve ser orientada a partir de uma formação ampla, variada e multidisciplinar para uma formação cada vez mais específica destinada de acordo com suas preferências. Cada modalidade tem as suas peculiaridades, suas vantagens e limitações. Devemos pedir que contribuía para a sua aprendizagem e desenvolvimento físico, motor, psicológico e social.

Considerando que os protagonistas são os nossos filhos. É essencial que nós tomamos todas as decisões, permitindo-lhe experimentar, procurar e mudar se não gostarem; os erros são parte da própria experiência e trazem sempre algo de positivo na sua evolução. Mas não devemos confundir esta pesquisa com a inconstância, a falta de iniciativa ou uma maneira de evitar o esforço e empenho.

Envolvidos nas atividades dos nossos filhos, mas deixando o ato técnico para os treinadores e formadores, respeitando e apoiando as suas decisões.

Assim sendo, temos de saber ficar de fora, informados e colaborar quando necessário, mas sem nos intrometermos no seu desempenho.

Temos que ser pacientes na sua evolução, as crianças passam por diferentes fases do seu desenvolvimento motor e o sucesso desportivo virá se tiver que vir e se for esse o seu desejo e vontade. Por vezes temos pais com um interesse exagerado em transformar os seus filhos em atletas profissionais, submetendo-os a cargas físicas e psicológicas excessivas para a sua idade.

Sejamos humildes, não devemos ampliar as vitórias nem os troféus. Devemos ter em mente que os nossos filhos não são os únicos, não são indispensáveis para a equipe, não são os melhores, são apenas mais um de uma equipa. Devemos ter cuidado para não projetar para as crianças os nossos desejos ou as nossas frustrações. Pelo contrário, somos nós que melhor os conhecemos, que os ouvimos que falamos com eles, que sabemos quais são os seus medos ou receios. Devemos acompanhá-los em todos os momentos e ajudá-los a controlar os seus medos e superar as suas frustrações.

Promover o fair play. Embora seja claro que existe concorrência e competitividade no desporto, ainda mais, a concorrência é uma parte fundamental de todos os desportos e não tem lógica os pais não a percebam, não a defendam e não a expliquem às crianças. Devemos relativizar essa oposição, a concorrência fica dentro do campo e seguir sempre as regras, desporto ético e conduta desportiva. Não devemos de ter atitudes agressivas, não incentivar a violência no jogo e não ter falta de respeito pelas regras. Que sentido faz ganhar sabendo que não cumprimos as regras? Qual é a mensagem que estamos a passar as crianças?

Apoiar, capacitar e motivar os nossos filhos. Nós todos sabemos o tão difícil é estar sempre pronto e motivado para continuar os nossos esforços, é importante que o pai/mãe estejam presentes nas alturas difíceis. Mas não devemos confundir isso com o resolver dos problemas ou evitar situações difíceis, ao confrontar as crianças com as dificuldades estamos a ajudar a amadurecê-los, a crescer e prepará-los para a vida.

Devemos de incutir espírito de  trabalho e dedicação para que os nossos filhos possam alcançar os seus objetivos. Na sociedade de hoje, especialmente através da comunicação social, existe a ideia de que todos podem ter sucesso facilmente, é nós mostrado um quadro dos “heróis desportivos” distorcido, independentemente de qual o impacto que pode ter na vida dos seus pequenos seguidores. Os pais têm aqui um importante trabalho educativo evitando ampliar estas informações enganadoras e definir valores positivos a transmitir às crianças.

Faça com que o seu filho se sinta valorizado. É muito importante para as crianças mostrarem as suas realizações para os entes queridos, no entanto, não devemos de ser muito rígidos para evitar a pressão excessiva sobre a criança. Devemos de destacar os aspetos positivos, a melhoria pessoal e coletiva, e não apenas o resultado, aliás, o resultado é o menos importante.

Os Pais como espectadores devem evitar fazer juízos de valor precipitados para o desempenho dos árbitros, treinadores e das equipas; é muito mais interessante e enriquecedora para todos conversar em casa ou em outro local que não seja no campo, sobre o que aconteceu no jogo com os nossos filhos. Em qualquer caso, devemos sempre preceder à educação dos nossos filhos e certamente um(a) pai/mãe gritar, insultar o árbitro, os treinadores, os adversários, as equipas ou outros pais, estamos a dar um péssimo exemplo aos nossos filhos e às outras crianças intervenientes.

Vamos todos trabalhar para melhorar, seguir uma conduta saudável e educada, a nossa presença nos campos de futebol é importante e faz falta, os nossos filhos gostam da nossa presença. Vamos apoiar, dar bons exemplos, ter desportivismo, vamos incentivar, aplaudir e motivar todos os intervenientes. Vamos deixar fora do campo as nossas frustrações e problemas. Vamos levar alegria e boa disposição para os jogos e para os campos de futebol.

Não nos podemos esquecer nunca que somos os “heróis” para os nossos filhos, queremos que eles cresçam à nossa imagem, ao termos um comportamento incorrecto, inadequado que os envergonhe, estamos a desiludi-los.

Devemos estar conscientes de que somos uma referência para os nossos filhos.

1 Comentário

  1. Eugenia Chora
    5 Abril, 2017
    Responder

    Dantes o único dilema era ser-se progenitor cedo e constatar que a prol não trazia “livro de instruções” a menos que alguma “reliquia” velhinha estivesse ao nosso lado e nos ajudasse com a sua experiência. Actualmente o não acompanhamento dos filhos, na maioria dos casos tem a desculpa dos afazeres profissionais, a carreira, e o acautelar de um futuro que sendo incerto nos faz suar sem sabermos se lá chegaremos. Vai-se protelando para amanhã a saída ao jardim, jogar um jogo ou ler uma história, mas, urge providenciar que os emails e as mensagens não são esquecidas mesmo que passem as horas sem se dar por isso. Depois, vem à consciência aquela voz implacável que nos leva à compra do tablet ou dos jogos que são a companhia de substituição que nas vastas vezes aguçam a bestialidade sempre repetitiva mas que tem graus avançados nada subtis de volencia e obscenidades gratuitas que criam a ilusão de que é assim que se tornam adultos e aceites pelos seus pares, na escola, e no desporto de forma tão visível e assustadora.
    Aos que fogem ao padrão de triste figura, apelidam-se de “betinhos” que se bem acompanhados farão a diferença e pedirão meças aos distrídos da vida.

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