Procurar conhecer o método com o qual o futebol de formação tem de trabalhar nos clubes não profissionais, ou que não são principal referência futebolística na sua região ou localidade.

Não estando grande parte dos clubes organizados, estruturados e preparados em relação ao plano desportivo, económico e social, mas se há algo ou alguém que consegue tirar partido desta situação, sem dúvida, é o futebol de formação.

As equipas principais dos clubes mais humildes, longe de manter antigos privilégios advindos de um capricho de algum mecenas com delírios de grandeza, constroem toda a sua engrenagem em torno do futebol de formação o qual cada vez se torna mais necessário que prime pela qualidade e organização da sua estrutura.

A primeira grande pedra angular de um bom trabalho de bastidores é a organização da sua estrutura. Para tal, e dada a rigidez orçamental que os clubes manuseiam, é necessário procurar fórmulas criativas para vincular muita gente ao projeto, com o menor custo possível. A ideia de delegar várias funções a gente qualificada pode ser uma solução, mas de forma a não inviabilizar o próprio projecto, a sua coordenação e a qualidade das suas equipas técnicas.

Muitas vezes o aproveitamento/rendimento de um jogador, e mais ainda em tenra idade, vê-se comprometido por problemas de índole social e/ou familiar. Por esta razão a figura de um responsável de futebol de formação é essencial para melhorar a qualidade da educação e não deixar nada (ou o menos possível) por mãos alheias e poder detetar, de forma prematura, as barreiras que possam interferir com o correto desenvolvimento de um jogador.

Outro ponto de grande relevância é sem dúvida a formação. Aqui será necessário dotar a estrutura de linhas claras de trabalho, tendo em conta as etapas evolutivas do jogador. Um clube sem uma política desportiva definida terá maiores dificuldades nos objectivos relacionados com o seu conceito de Formação.

Um jogador tem que progredir consoante o nível de dificuldade ou a preparação que este tem em torno do jogo. É por isso que nas idades mais tenras é tão necessário o bom trabalho técnico, para que o jogador possa adaptar a sua psicomotricidade aos movimentos que este desporto requer. Mas não é menos importante que o jogador comece a desenvolver o jogo desde o inicio. Para traz ficaram (ou estamos nesse caminho) as sessões de treino aborrecidas nas quais a bola brilhava pela sua ausência.

Conforme avançamos nas etapas evolutivas do jogador, é de vital importância que este saiba adaptar-se à competição. Sob o meu ponto de vista, o motivo pelo qual um jogador deixa de praticar este desporto ou lhe dê continuidade e dedicação não é o ser mais ou menos talentoso, ou ter mais ou menos destreza com a bola; mas sim a adaptação à competição evitando cansaços incomportáveis.

É por tudo isto que as etapas de competição e rendimento (que se podem catalogar desde os infantis para a frente) devem ser dotadas de um modelo de jogo adequado. O jogador deve saber desenvolver soluções aos problemas que o jogo lhe apresenta e, ao mesmo tempo, entender e aplicar de forma clara os conceitos que como clube queremos ter claros para quando transitar para a categoria seguinte.

A finalizar, para poder aproveitar o potencial do futebol de formação numa primeira equipa não profissional, é importante uma boa estrutura organizativa, uma correta formação nas etapas evolutivas do jogador e uma adaptação à competição onde possa aplicar todos os conteúdos que adquiriu durante o seu processo formativo.

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