A rivalidade é sempre um assunto delicado, não só pela variedade de contextos em que o termo é aplicado, como pela inevitável comparação entre as diferentes situações em que o termo é usado.

Podemos dizer que existe rivalidade sempre que duas pessoas, ou duas equipas, por exemplo, competem pelo mesmo objetivo.

O cuidado a ter nas comparações entre vários cenários em que existe rivalidade decorre, principalmente, da enorme diversidade de situações da vida em que este termo se pode aplicar. Existe rivalidade num jogo de futsal onde, apesar das regras, os comportamentos se revelam muitas vezes desadequados e existe rivalidade, por exemplo, numa situação de conflito armado, numa guerra. A única semelhança entre estes dois exemplos é o facto de haver uma disputa, ou uma competição, entre duas ou mais partes por um objetivo.

A rivalidade no desporto, em geral e no futsal, em particular, sempre existiu e sempre existirá. Mas o importante é perceber é que isto não é forçosamente mau: a rivalidade é necessária desde que seja vivida como deve ser – de forma positiva e saudável. E, à semelhança do que sucede noutras modalidades desportivas, verificamos que também no futsal existe alguma dificuldade em entender o verdadeiro significado deste termo.

A rivalidade tanto pode existir num simples jogo, como entre duas equipas que disputam o mesmo lugar na tabela classificativa. Há uma certa tendência para querer chamar rivalidade a determinados comportamentos negativos que em nada se relacionam com este termo. É óbvio que a intensidade da rivalidade pode ser maior num jogo do que noutro, por estarem diferentes variáveis envolvidas como, por exemplo, a proximidade física entre dois clubes. Neste caso, é admissível que haja maior rivalidade entre estes dois clubes vizinhos ou entre outros que, durante uma vida, disputam sempre o mesmo lugar; esta rivalidade é admissível desde que se manifeste sempre de forma saudável.

A rivalidade é salutar quando num jogo ajuda a melhorar o desempenho da equipa, aumentando a motivação competitiva e impulsionando os atletas a darem ainda mais. Mas deve ser sempre vivida na observância das regras e num ambiente de respeito por tudo aquilo que são os valores fundamentais do desporto. E é nesta perspetiva positiva da rivalidade que interessa focar.

A rivalidade não é nem pode ser um meio para justificar comportamentos de violência, de racismo, etc. Se estes são comportamentos que queremos, cada vez mais, abolir da nossa sociedade e se considerarmos que a rivalidade é algo que pode ser produtivo e benéfico para todos – não só no desporto, como nas mais variadas situações da vida -, é fácil entender que uma coisa não pode ter a ver com a outra.

Concluímos então que existem e devem continuar a existir rivalidade e rivais e que a intensidade da rivalidade varia no confronto entre determinados clubes ou pessoas, mas que esta realidade não pode justificar determinados comportamentos.

Pais, adeptos e treinadores entendam isto, principalmente nos escalões de formação. Os adversários são todos isso mesmo: adversários. São todos rivais; entendam, se o quiserem, que uns são mais que outros. Mas todos merecem o mesmo respeito. Tanto quanto a modalidade a que vocês se dedicam ou seguem. Ser o clube da mesma zona pode apimentar a rivalidade, mas não justifica a alteração de comportamentos, a violência, as ofensas verbais, etc..

As crianças que começam agora no desporto, precisam de entender isto também para que o desporto seja algo produtivo e benéfico na sua vida futura. Nós todos enquanto adeptos, ou enquanto treinadores, podemos ajudar a criar o tal ambiente saudável… mesmo com rivalidade.

Até onde vai a rivalidade?

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