Formação ou Deformação?


Nos dias que correm, é consensual a importância do Futebol, como um meio de proporcionar aos jovens um desenvolvimento/formação multilateral e harmonioso, bem como um modo de os afastar de determinados malefícios bem presentes no nosso quotidiano.

Mas a prática do Futebol, não é o suficiente para termos no futuro Homens bem formados, sociáveis, cumpridores e respeitadores das leis e regras da sociedade. A um jovem praticante de Futebol, não é apenas necessário ensinar-lhe as regras, os gestos técnicos e as acções tácticas, é necessário sobretudo incutir-lhe valores que o orientem e auxiliem na sua própria vida.

Em suma, o Desporto deve ser utilizado como um forma de educar e formar.

Contudo, assistimos por vezes à desvalorização desse carácter educativo e formativo do Desporto, onde observamos atitudes pouco abonatórias para essa mesma formação. E são essas atitudes que irão ser consideradas como padrão por esses mesmos jovens, quer no Futebol, quer no seu dia-a-dia.

É por esta razão que quando ouço falar em formação, ou conceitos associados, opto por uma postura renitente, pois por vezes assistimos não à formação mas sim à
“deformação” de jovens atletas.

É com a constatação destas situações, que julgo que a palavra formação, tem sido utilizada de forma muito leviana, formação é muito mais que um “Chavão” bonito de aplicar, é um conjunto de princípios a que todos os agentes desportivos terão que obedecer. Entre os quais se destacam:

  • O jovem atleta não é um adulto em miniatura, sendo errada na maioria das vezes comparações, adaptações e transferes do desporto sénior para actividade desportiva do jovem;
  • Não colocar os “interesses” dos dirigente/treinadores/pais à frente dos objectivos e motivações do jovem;
  • No processo de formação do atleta, há que respeitar e conhecer o seu processo de maturação, pois existem fases ideais para o desenvolvimento de determinadas capacidades e habilidades;
  • Todo o processo de treino, deverá ser orientado pela diversidade de estímulos e experiências, evitando deste modo a especialização precoce;
  • Promover os valores do espírito desportivo e fair-play, respeitando as regras, os árbitros, os colegas e os adversários;
  • Incutir o gosto e o prazer de praticar uma actividade desportiva;

Com estas pequenas observações e princípios, pretendo deixar um documento orientador para uma formação correcta e equilibrada dos nossos jovens, Homens do amanhã.

Formação sim! Mas com qualidade.

1 Comentário

  1. Mario Figueira
    12 Abril, 2016
    Responder

    Este tema dava para escrever um livro com mil folhas… infelizmente uma verdade que só poucos, muito poucos conseguem ver.

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