Para melhor compreensão deste artigo sugere-se a leitura da Parte 1 que podem encontra-la aqui: PARTE 1

Será o paradigma cartesiano a melhor visão para entendermos e agirmos num contexto tão complexo como é o Futebol? Não. Uma equipa de futebol tem de ser entendida como um sistema! Dinâmico e adaptativo constituído por elementos que se relacionam e interagem entre si e com o meio envolvente (Bertrand e Guillement, 1994).

Uma componente poderá influenciar todo um sistema?

Frade em 1985 menciona que se uma das componentes do sistema é incapaz de interagir com os outros, não desempenhado a sua função especifica, o sistema todo é afetado. Por exemplo: Um Treinador define na sua ideia de jogo que os jogadores devem-se posicionar em organização defensiva, todos atrás da linha da bola. Imaginemos agora, um extremo que invés de fechar determinados espaços com os restantes colegas, formando um bloco compacto, permaneceu na frente. Apesar deste extremo ser apenas 1 elemento de uma equipa de 11 jogadores, ele poderá hipotecar as hipóteses da sua equipa fechar espaços ao adversário e consequentemente influenciar toda a organização defensiva da sua equipa.

O mesmo poderá acontecer quando retiramos um jogador da sua posição natural e o colocamos noutra, em que as exigências táticas são diferentes, bem como as relações e interações que este jogador passará a ter com os demais elementos da equipa.

Um sistema poderá influenciar uma componente?

Se um único elemento pode influenciar totalmente um sistema, o contrário também é verdade.

Exemplo: Na ideia de jogo do treinador está que em organização ofensiva a equipa deve fazer “o campo ficar grande”, abrindo em largura e profundidade, com o ponta-de-lança o mais profundo possível e os extremos abertos de forma a arrastar a defesa adversária e dar espaço aos seus jogadores mais criativos do meio-campo. Ou seja, se a equipa como um todo não fosse capaz de realizar esse comportamento de tornar o “campo grande”, alguns talentos individuais poder-se-iam não manifestar.

A equipas de futebol são formadas por jogadores, que interagem entre si com objetivos e finalidades definidas e compartilhadas (um jogar específico) que acabam por influenciar e guiar as suas intencionalidades e interações (Tobar, 2018).

Um sistema poderá influenciar o meio envolvente?

Um sistema está envolto por um meio ambiente que pode moldar as suas interações e os seus comportamentos (Tobar, 2018). No entanto o inverso também é possível. Como exemplo temos a seleção holandesa de 1974 e o seu “Futebol Total” que conseguiu modificar em parte, o modo como se joga futebol com as suas ideias inovadoras de pressing, ocupação de espaços a atacar e defender, trocas posicionais e reação rápida à perda de bola. Tratou-se de um sistema que influenciou as tendências gerais do futebol (Tobar, 2018).

O meio envolvente poderá influenciar elementos do sistema?

No que diz respeito às interações do meio envolvente com os elementos de um sistema, o exemplo mais claro será o caso de Messi envolvido em dois contextos completamente diferentes (Argentina e FC Barcelona). Em 2009 quando Maradona assumiu a seleção argentina, um dos seus maiores planos era aproveitar a qualidade de Messi, do mesmo modo que acontecia no clube. No entanto, a organização evidenciada pela Argentina, a ideia de jogo de Maradona e os jogadores disponíveis não se assemelhavam aos padrões de organização do Barcelona operacionalizados por Pep Guardiola. Num local encontra um modelo de jogo e uma equipa onde consegue exponenciar e expressar todas as suas capacidades, noutro não.

Outro exemplo poderá ser um defesa central que esteja num clube onde lhe sejam pedidos comportamentos de marcação individual ao adversário, perseguições aos avançados, jogar um futebol mais direto, irá parecer um jogador totalmente diferente se este for transferido para um clube que lhe peçam outro tipo de comportamentos, como marcação à zona, sair a jogar com qualidade a partir de trás, condução de bola para atrair adversários e.t.c.

Figura 1-Ronaldo melhor do Mundo?

O pensamento simplificador e reducionista do método de Decartes não é a melhor forma de compreender o Futebol. A modelação do treino e do jogo, como sendo um Sistema é a forma mais vantajosa e melhor para encarar um fenómeno tão complexo (Tobar, 2018).

Fiquem atentos aos próximos artigos onde aprofundarei cada vez mais esta metodologia que revolucionou o treino do futebol.

Bertrand, I. Guillemet, P. (1994) Organizações: Uma Abordagem Sistémica. Lisboa. Instituto Piaget.

Tobar, J. (2018) Periodização Tática. Entender e Aprofundar a metodologia que revolucionou o treino do Futebol.1ºEdição PrimeBooks.

Sem comentários

Deixar uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Anterior A importância do feedback
Próximo Incentivo à inclusão dos pais