Motivação e Formação no Desporto: As seis razões do insucesso escolar (4/6)


  1. As seis razões do insucesso escolar (4/6)- Espontaneidade

No processo formativo, pais, treinadores e professores tendem a impor as suas próprias convicções e a não apelar aos valores e motivos de vida intrínsecos dos estudantes. Esta estratégia é normalmente disfuncional, pois os estudos mais recentes revelaram que cada indivíduo apresenta uma estrutura de motivações única.

O comportamento de cada pessoa é moldado e determinado por impulsos internos específicos, resultando num perfil motivacional diferente de indivíduo para indivíduo, o qual precisamos conhecer para ajustar as estratégias de forma personalizada. Cada aluno requer, por isso, uma abordagem motivacional ajustada à sua personalidade, como se se tratasse de um treinador, ou de um atleta de alto rendimento ou de um executivo em processo de coaching.

Steven Reiss identificou seis preditores do insucesso escolar, a saber:

  1. Medo do fracasso/problemas de autoestima (positivamente correlacionado com uma elevada necessidade de aceitação/aprovação social).
  2. Baixa Curiosidade (baixa necessidade de conhecimento)
  3. Falta de Ambição (baixa necessidade de influência)
  4. Espontaneidade (baixa necessidade de ordem)

Os estudantes que valorizam a espontaneidade tendem a ser desorganizados e a dar pouca importância à preparação prévia. Tendem a trabalhar em várias tarefas em simultâneo e a começar uma nova actividade antes de terminar a anterior.

Alguns professores avaliam negativamente os estudantes desorganizados pela sua falta de cuidado, falta de atenção aos detalhes e desleixo.

No questionário RSMP, a necessidade de espontaneidade corresponde a uma baixa necessidade de Ordem. Resultados elevados na dimensão Ordem teoricamente indiciam traços de uma pessoa organizada enquanto que resultados baixo sugerem traços de uma pessoa espontânea. A escala de Ordem do RSMP está positivamente correlacionada com a escala de Ordem do Personality Research Form,r = .60, p\.01 (Havercamp and Reiss 2003). Estes resultados evidenciam a validade concorrente da escala Ordem do RSMP.

Como podemos apoiar e desenvolver os estudantes com menor necessidade de ordem de modo a que estes possam ter melhores resultados?

  • Evitar a dispersão ajudando os estudantes mais espontâneos a :
    • focar-se num único curso de ação e pensamento quando a tarefa assim o exija.
    • valorizar a conclusão de uma tarefa antes de partirem para a seguinte.
  • Estes estudantes podem ter melhores resultados em tarefas não estruturadas e em ambientes pouco estruturados. Poderão ajustar-se e sentirem-se mais confortáveis em tarefas relacionais, comerciais ou de gestão e de tomada de decisão.
  • Quando se imponham tarefas e objetivos muito específicos que exijam organização e um maior cuidado e preparação deve-se procurar associar esse esforço à possibilidade de gratificar outros motivos de vida, que tenham sido identificados como importantes no questionário individual RMP. Para ilustrar este aspeto, e se olharmos para o gráfico dado como exemplo (onde a par da baixa necessidade de Ordem também observamos uma necessidade elevada de Romance/beleza), poderíamos associar a tarefa à possibilidade de o fazer em um local agradável, ou com o(a) namorado(a).
  • Poderá ser importante trabalhar a atenção, concentração, métodos de organização pessoal e apoio ao estudo.
  • Será muito útil que o professor ou treinador sejam capazes de usar competências específicas de liderança situacional para promover o desenvolvimento em função da maturidade do estudante.

 Steven Reiss (The normal personality: a new way of thinking about people. Cambridge University Press, New York, 2008)

Art4

Legenda: Gráfico RMP (Reiss Motivation Profile) com o perfil motivacional de um atleta/estudante com baixa necessidade na dimensão Ordem. A avaliação do perfil motivacional é realizada através do preenchimento de um questionário RMP online devidamente validado. A análise dos resultados é feita por um especialista certificado, numa ou várias sessões de coaching, com o atleta/estudante e com os pais. A interpretação do perfil exige a análise da interação dos diferentes motivos de vida.

Nota: No próximo artigo abordaremos a quinta razão do insucesso escolar.

 

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