A Associação Académica de Santarém é uma instituição desportiva fundada no dia 5 de Outubro de 1931, com sede  na cidade e capital de distrito de Santarém, é um clube que tem somente escalões de formação, a Académica é hoje um dos clubes com maior historial do distrito de Santarém, mantendo intacta a função de promover a actividade desportiva em diversas modalidades, não só numa perspectiva competitiva, mas sobretudo num objectivo claro de formação de jovens, sendo hoje uma das grandes referências a esse nível.

Tendo como objectivo de ter os três escalões de competição nos campeonatos nacionais de futebol 11, actualmente destaque para a equipa de iniciados que após uma excelente época teve na ultima convocatória a chamada de 4 jogadores aos trabalhos da Seleção Nacional de sub-15, os restantes escalões competem nos campeonatos distritais da Associação Futebol de Santarém.

Modelo da Formação da Associação Académica de Santarém

Qual é a filosofia do Clube em relação à formação?

A Associação Académica de Santarém é um clube que tem somente escalões de formação, o que direciona todas as forças para a formação de jogadores. Dividimos a formação em três etapas: Formação de Base (Sub-6 a Sub-9), Formação Aperfeiçoamento (sub-10 a Sub-13) e Formação Competição (Iniciados a juniores) e em cada etapa há objetivos bem definidos para serem trabalhados pelos treinadores e jogadores. A nossa ideia fundamental passa por formar jogadores de futebol e Homens/Mulheres com valores de fair-play, respeito, compromisso, dedicação, resistência às adversidades e capacidade de trabalho em equipa.

Quantos atletas tem na formação e número de equipas por escalão?

Temos cerca de 300 atletas. Nos juniores – 1 equipa, Juvenis – 2 equipas, Iniciados – 2 equipas, Sub-13 (futebol 11) – 1 equipa, Sub-13 (futebol 7) – 1 equipa, Sub-12 – 2 equipas, Sub-11 – 2 equipas, Sub-10  – 1 equipa, Sub-9 – 1 equipa. A partir dos Sub-8 temos muitos jogadores a iniciar a modalidade onde o princípio da multilateralidade está presente. O brincar, a utilização dos jogos pré-desportivos, o treino das habilidades motoras básicas  são as nossas prioridades, participando também nas concentrações organizadas pela a Associação de Futebol de Santarém.

Existe uma forma de jogar igual para todas as equipas dos escalões de formação?

A coordenação do futebol de formação na Associação Académica de Santarém é feita por mim e pelo Leonel Madruga. Na nossa visão não faz muito sentido a existência de um modelo de jogo na formação, ainda para mais porque não temos seniores, e mesmo se tivéssemos provavelmente não era esse o caminho que iriamos trilhar. Na nossa perspetiva a formação serve para desenvolver o jogador nas suas diferentes dimensões (psicológica, física, técnica e tática) e desta forma balizamos conteúdos/objetivos de acordo com o escalão com o intuito de formar um jogador que conhece do jogo, domina os princípios do jogo e tem capacidade de tomar decisão. Os nossos treinos vão ao encontro destas ideias. Oferecemos muita resistência a tudo que seja padronizado, privilegiamos o ensino, o estimulo dos jogadores que pensão e têm capacidade de tomar decisão de acordo com o contexto de jogo.  Este é o caminho que decidimos trilhar, que é questionável, mas tem nos permitido desenvolver os nossos jogadores. Facto que podemos acreditar no que fazemos é a ultima chamada de 4 jogadores aos trabalhos da Seleção Nacional de sub-15.

Como são os treinos ao nível do futebol infantil e juvenil?

Como já referimos os nossos treinadores têm o seu trabalho orientado por um planeamento plurianual que é assente no modelo de formação do clube. Os treinos para cada escalão tem de estar de acordo com o crescimento e fase de desenvolvimento dos atletas, sabendo que os nossos exercícios têm por base o jogo. O jogador deve ser estimulado a pensar, tomar decisão e ajustar a solução motora ao contexto. Recorrendo a variantes de dificuldade e de complexidade, manipulando as condicionantes do exercícios desenvolvemos os aspetos técnicos, táticos, físicos e até os psicológicos.

Qual é o perfil de jogador definido para a formação e clube?

Não temos essa preocupação. Todos que querem aprender a jogar futebol na Associação Académica de Santarém podem o fazer. O problema é que já começamos a ter problemas com o número de atletas e espaço disponível. Precisamos de mais um campo, objetivo que o nosso Presidente está a tentar resolver. Aliás um dos aspetos importantes no desenvolvimento deste projeto é o trabalho conjunto entre a Direção e a Coordenação.

Como são os vossos treinadores enquadrados em termos de perfil por escalão?

Este é dos aspetos que temos tido mais preocupação desde o momento que começamos a desenvolver este projeto. Não contratamos um treinador só porque precisamos de preencher uma vaga. Por vezes propomos a treinadores da casa para acumular mais que uma equipa. Para nós os treinadores são formadores e desta forma tem de ter um comportamento exemplar para os nossos jogadores. Para nós é fundamental que tenham formação académica e/ou curso de treinador. Não é por acaso que integramos nas nossas equipas técnicas jogadores ou ex-jogadores, mas estimulamo-los a tirar o curso. Muitos deles acabaram por ir para o Ensino Superior para tirar cursos ligados ao treino desportivo.

Depois para nós um aspeto que damos enorme relevância é o conhecimento sobre jogo e capacidade de construir os seus exercícios de acordo com o grupo que tem à sua frente, bem como desenvolver uma intervenção ajustada às necessidades da equipa.

Como é o processo de captação e prospeção?

As nossas equipas são formadas na sua maioria por jogadores que fazem o seu trajeto no clube. Não é nosso princípio ir buscar uma equipa inteira a clubes vizinhos, forma de atuar de alguns clubes do nosso distrito. No entanto por vezes quando temos fragilidades, ou há saída de um conjunto de jogadores porque querem ir para o nacional, ou ficamos sem algum jogador devido a ter ido para um clube grande (como é uma realidade no nosso clube), socorremos-mos da prospeção, uma vez que é nosso objetivo colocar e manter as equipas de iniciados, juvenis e juniores nos campeonatos nacionais. Neste momento o nosso clube já tem um departamento de prospeção que em conjunto com os treinadores e coordenação fazem esse trabalho de deteção de jogadores que podem ser mais valias para as nossas equipas.

Nos escalões de formação, Ganhar ou Formar?

Na nossa perspetiva ganhar e perder faz parte do jogo e da vida. Não queremos esconder esta realidade dos nossos jogadores. Uma coisa é verdade, para nós o tentar ganhar não é feito a todo custo e sem respeitar os jogadores, o seu empenhamento, a assiduidade aos treinos e as suas  etapas de desenvolvimento. Na nossa conceção ganhar é resultado do processo de formação, do trabalho metódico e organizado. A partir dos iniciados é que começamos  a dar mais relevância à questão do ganhar campeonatos e do competir nos campeonatos nacionais. Costumamos dizer aos nossos treinadores que um treinador no nosso clube mais depressa é convidados sair por fazer um mau trabalho, do que por perder um campeonato.

O clube faz separação entre equipas de formação e competição? Como é feita a integração?

Não fazemos. O que nos traz alguns problemas com os Encarregados de Educação. Ainda não chegamos a esse patamar e temos duvidas, de acordo com o contexto em que o clube está inserido, se esse é o modelo mais adequado. As nossas equipas, desde os sub-10 até aos juniores, competem todas nos campeonatos distritais da AFS, sendo os jogadores divididos em equipa A e B. Tal facto traz algumas vezes inquietação aos encarregados de educação. É uma fragilidade que temos de facto, apesar de termos feito alguns progressos, promovendo o treino integrado da equipa A e B até aos iniciados, mas ainda não chegámos ao melhor modelo.

De que forma é feito o acompanhamento de desempenho escolar dos atletas?

Numa grande maioria os nossos jogadores são bons estudantes, verificando-se todos os anos letivos a integração de vários alunos no quadro de excelência. No entanto, por vezes em conversa com os pais e jogadores, procuramos atuar junto daqueles que têm mais dificuldades ou estão menos motivados. Quando um jogador precisa de faltar para estudar para um teste, não tem problema, treina com outra equipa em outro dia, ou vem treinar com outro treinador, fazendo um trabalho mais individualizado. O que não cabe na nossa forma de pensar é o jogadores faltarem para estudar. Têm de ter capacidade de gerir o seu tempo, o que implica menos tempo nas redes sociais, a jogar computador, etc.

Que avaliação faz dos quadros competitivos ao nível da formação em Portugal, tem sugestões de melhoramento?

Na Associação de Futebol de Santarém é necessário fazer uma profunda reflexão. Os quadros competitivos são muito desequilibrados, existindo muitos resultados desnivelados. Por vezes há equipas que têm um ou dois jogos competitivos por ano. Penso que seria necessário juntar os coordenadores dos clubes e treinadores para fazer essa reflexão. Quanto aos quadro competitivo nacionais há um aspeto que penso ser relevante. Uma equipa que não chegue às fases finais acaba muito cedo de competir, podendo ser construído um quadro competitivo Inter-regional para essas equipas.

Qual a vossa perspetiva e mais valias vem trazer o novo campeonato nacional de sub-23?

É mais uma etapa de desenvolvimento. A passagem dos juniores para os seniores é sempre difícil, e por vezes há bons jogadores que se perdem por não haver uma etapa intermédia. Desta forma acho que pode ser positiva. No entanto, os clubes ao fazerem este grande investimento, se não tirarem proveito dele é deitar dinheiro à rua. Se continuarmos a optar por jogadores estrangeiros de igual ou menor qualidade dos nossos jogadores, a equipa de Sub-23 não vem resolver nada. Mas em termos de seleções nacionais é bastante positivo, tendo em conta que os jogadores jogam.

De que forma é assegurada a transição do futebol de formação (juniores)  para  o futebol sénior?

Como já referi o nosso clube não tem equipa de seniores. Quando os jogadores chegam ao final do seu trajeto, vão para vários clubes do distrito que nos procuram. No entanto, poucos são os projetos consistentes e muitas vezes os jogadores acabam por abandonar cedo, ou acabam por terminar o seu processo de desenvolvimento. Penso que temos de ganhar a confiança dos clubes que jogam no CNS, a fim de proporem projetos bons para os nossos jogadores, a fim de continuarem o seu desenvolvimento. Quando conseguirmos ser regulares com todos os escalões nos campeonatos nacionais, estas oportunidades irão surgir com maior facilidade.

Que melhorias ao nível da formação nos clubes vem trazer o novo Modelo Global e Integrado de Entidades Formadoras da FPF?

Começa a existir uma orientação para a validação do trabalho de formação feito pelos clubes. Desta forma os clubes que querem ter este reconhecimento tem de ter um trabalho organizado, assente em bases solidas, o que na minha perspetiva vai trazer melhorias ao futebol de formação distrital e nacional.

Segue o site FDF Futebol de Formação, como avalia o nosso trabalho e ocorre-lhe alguma sugestão?

Sim, e fazem o trabalho bastante positivo de valorização do futebol de formação, trazendo à discussão e reflexão temas muito importantes.

Fernando Santos - O nosso entrevistado

Data de Nascimento: 20/10/1975
Naturalidade: Porto, Portugal
Clubes representados: Sport Lisboa e Cartaxo, CD Águias de Alpiarça, União F C de Almeirim, União Desportiva de Santarém, Atlético Clube Alcanenense, CCD de Monsanto, União Desportiva de Leiria
Cargo: Coordenador da Formação e Treinador
Curso/Formação: Treinador Futebol Nível II e Doutoramento em Ciências do Desporto
Clube: Associação Académica de Santarém

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Obrigado à Associação Académica de Santarém e ao seu Coordenador da Formação Fernando Santos por esta entrevista, partilha de conhecimento e pela mensagem que nos deixam, mais conhecedores e enriquecidos sobre o futebol de Formação em Portugal.

Aos nossos leitores esperamos que tenham gostado, e podem deixar uma mensagem ao Coordenador Fernando Santos nos comentários aqui no site. Obrigado a todos.

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