A temática do futebol de rua, é uma preocupação para quem trabalha no futebol de formação, mas na minha opinião, a grande diferença que existe em relação a 10/15 anos atrás, é sim o tempo de prática do jovem atleta, pois a 10/15 anos atrás, os jovens tinham tanto tempo de prática numa tarde, como hoje o jovem tem numa semana de treinos, pois o jovem passava 3 ou 4 horas por dia a jogar futebol, o que lhe conferia um grande desenvolvimento das suas capacidades, neste momento assistimos a uma sociedade, em que o jovem não tem tempo de prática, e apenas desenvolve a atividade no treino.

Mais preocupante do que o futebol de rua, é a falta de atividade física que era desenvolvida na rua, em que permitia ao jovem adquirir competências motoras diferenciadas, que depois o ajudavam no treino do futebol, pois neste momento no treino até podemos replicar exercícios de futebol de rua, ter alguns treinos de certa forma anárquica, como acontecia no futebol de rua, mas não conseguimos aumentar o tempo de prática destes atletas, pois cada vez mais os jovens são sedentários, e passam o seu tempo sem atividade física, preferindo atividades de lazer como jogar computador, playstation, entre outros.

Através do futebol de rua e do tempo de prática, adquiriam-se competências ao nível de criatividade (drible, finta e simulação), e neste momento assistimos a um fenómeno que está a destruir a criatividade de muitos jovens atletas. Para os quais contribuem treinadores e pais, pois se fizermos um simples exercícios, de nos sentarmos a ver um jogo de futebol de formação, raras são as situações em que vemos atletas a fintar, a criar situações de desequilíbrios, assistindo a um jogo muito mecanizado e tático. E os que tentam, muitas vezes assistem a uma bancada de pais, que não pode ver um atleta a fazer uma ou duas fintas e perder a bola, sem uma reação de “passa a bola”, “queres uma bola só para ti”, entre outros comentários, o que leva os jovens a optar pela forma mais simples de não “comprometer” a equipa, acabando por desaparecer a sua criatividade a longo prazo.

Em que estamos a tornar o futebol, que parece que é obrigatório jogar com toques curtos e apoiados, e em que não existe tempo para a criatividade. Temos de deixar os jovens atletas fintar, criar, inventar e falhar em jogo, pois só assim teremos jovens capazes de criar desequilíbrios no futuro, de forma criativa, pois no futuro teremos centenas de jovens que jogam bem, mas que não conseguem criar desequilíbrios, mas o atleta que se vai destacar é o que no futuro consiga criar desequilíbrios nas defesas adversárias, pelas suas fintas e dribles, a criatividade é a essência que estes jovens atletas não podem perder.

Devemos sempre olhar para o jovem atleta a longo prazo e não para o seu rendimento imediato….

4 Comentários

  1. Avatar
    José Rocha
    28 Janeiro, 2019
    Responder

    Boa tarde.
    De facto o futebol de rua implicava passar 3 ou 4 horas por dia a jogar futebol,e ao fim de semana era de manha a noite,com alegria e sempre com mentalidade ganhadora.
    Nos exigíamos a nos próprios ganhar os jogos, não era preciso ninguém dizer. A exclusão dos menos dotados tb era feita normalmente e ninguém refilava.
    Hoje os pais metem se onde antes não se viam.
    Além de passarmos mais tempo a competir (rua contra rua , bairro contra bairro, Sporting contra Benfica) onde todos queriam ganhar jogávamos a chuva ou ao sol ,no alcatrão, em terra com brita ou em campos com árvores a fazerem de balizas , onde tropeçávamos nas sua raízes.
    Essa era a grande diferença , oras seguidas de treino e dificuldades do campo que nos faziam mais forte.
    Hoje se não for sintético já não há condições, se estiver a chover muito podem se constipar etc.
    O FUTEBOL DE RUA TRAZIA SACRIFÍCIOS E HORAS SEGUIDAS DE PRAZER

  2. Avatar
    Elber
    4 Fevereiro, 2019
    Responder

    ótimo artigo! como faço para colocar como referencia num projeto? qual o nome do autor?

  3. Roberto
    Roberto
    8 Fevereiro, 2019
    Responder

    Olá, boa tarde, eu sou o autor do artigo, alguma dúvida, ou questão disponha, podemos conversar e colocar a referencia no projeto.
    Aguardo a sua resposta
    Com os melhores cumprimentos
    Roberto Cardoso

  4. Avatar
    Mario Sergio
    14 Fevereiro, 2019
    Responder

    Parabens Roberto, falaste tudo que acontece nos dias de hoje. E a falta do futebol jogado na rua, também prejudica na formação, porque se antes o garoto exercitava todo tipo de sincronia motora, hoje ele não faz mais isso, e quando chega a trabalhar na formação tem dificuldades imensas de acompanhar os exercicios com bola, e até um simples aquecimento, pois sua coordenação motora é péssima.

Responder a Mario Sergio Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Anterior Objectivos, estrutura e desenvolvimento de um programa de treino de competências psicológicas
Próximo Diz-me quando nasceste, dir-te-ei a probabilidade de seres convocado: efeito da idade relativa nas seleções nacionais de futebol masculino